19 de maio de 2012



Atualmente, vivencia-se uma era de desenvolvimento tecnológico ímpar, onde são criados vários aparelhos que auxiliam no cuidado do corpo biológico, no entanto toda essa tecnologia acaba por obscurecer e esquecer o ser humano, fazendo com que os profissionais de saúde dispensem a maior parcela do seu tempo com a aplicação de tecnologias a serviço da manutenção da vida e deixem de valorizar o paciente como um ser biopsicossocioespiritual, que tem emoções e sentimentos.
Todo esse conhecimento e avanço tecnológico da atualidade têm feito com que alguns profissionais que trabalham com pacientes fora de possibilidades terapêuticas (com impossibilidade de cura ou com prognóstico de morte próxima) mantenham-se distantes do processo de morrer, racionalizando e banalizando a morte, devido à dificuldade de lidar com essa última etapa da vida, por entenderem-na como fracasso profissional, e se encontrem despreparados para atenderem as demandas deste processo, relegando a família e o paciente ao “abandono” por não mais acreditar em sua cura.
 Diante disso o cuidado paliativo surge da necessidade de redimensionar a cultura do cuidado ao paciente fora de possibilidades terapêuticas ou em fase terminal, entendendo que embora não possamos alterar os fatos, podemos ter ações significativas e duradouras que vão interferir no modo pelo qual o paciente vai viver até morrer, a maneira como a morte acontecerá e as vivências da família durante este momento, buscando a humanização do processo de morrer, baseados em princípios éticos e bioéticos, atentando sempre para a satisfação das necessidades dos mesmos.
Este cuidar é baseado nos princípios éticos da veracidade, visando proporcionar a autonomia, da proporcionalidade terapêutica e do duplo-feito (relação custo/beneficio da medida terapêutica), da prevenção dos problemas potenciais e do não abandono. Está orientado para o alivio do sofrimento, focando a pessoa doente e não a doença da pessoa (Pessini apud Araújo, 2006, p.9), resgatando e revalorizando as relações interpessoais no processo de morrer, utilizando como elementos essenciais à compaixão, a empatia, a humildade e a honestidade. (McCoughlan apud Araújo, 2006, p. 9)
Segundo projeção da Organização Mundial de Saúde (OMS), o número de novos casos de câncer aumentará de dez milhões para 15 milhões, em 20 anos, e 60% ocorrerão nos países em desenvolvimento. No Brasil o INCA estima mais de 470 mil novos casos de câncer a cada ano, o que já representa a segunda causa de morte, com mais de 130 mil óbitos anuais (D’ANGELO). É frente essa realidade dificílima que os cuidados paliativos se apresentam como uma forma inovadora de cuidado na área da saúde, uma maneira mais humana de tratamento.
Assim, a enfermagem, enquanto equipe profissional, que convive de modo intensivo com as respostas dos pacientes, interage com seus sofrimentos, medos e ansiedades, em meio às modalidades terapêuticas, deve ter seu trabalho embasado nas tecnologias do tipo leve, para além dos saberes tecnológicos estruturados (tecnologias duras), articulando a atenção ao usuário e as suas necessidades ao processo curativo procedimento-centrado, visto que muitas vezes isto não ocorre, promovendo desta forma uma atenção integral que propicie uma melhoria na qualidade de vida do usuário oncológico, entendendo que assim como fomos ajudados a nascer, precisamos também ser ajudados no momento de adeus à vida, pois o homem ainda é insubstituível na assistência a saúde de outro ser humano.
Clissa Xavier

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