23 de junho de 2012



           A incidência de câncer no Brasil e no mundo vem crescendo nas últimas décadas e tenderá a aumentar com o envelhecimento populacional. No Brasil, o câncer é responsável por cerca de 14% das causas de morte e repre¬senta a segunda causa de mortalidade geral, com 147.718 óbitos registrados em 2005. Estima-se que em 2020 o número de casos novos anuais seja da ordem de 15 milhões, onde cerca de 60% desses novos casos ocorrerão em países em desenvolvimento (BRASIL, 2009).
            A explicação desse percentual tão alto de óbitos por câncer está diretamente relacionada à maior exposição dos indivíduos a fatores de risco cancerígenos. Os atuais padrões de vida adotados em relação ao trabalho, nutrição e consumo em geral expõem os indivíduos a fatores ambientais mais agressivos, relacionados a agentes químicos, físicos e biológicos resultantes de um processo de industrialização cada vez mais evoluído.
            Os fatores de risco de câncer podem ser encontrados no meio ambiente ou podem ser herdados. A maioria dos casos de câncer (80%) está relacionada ao meio ambiente, no qual encontramos um grande número de fatores de risco. Entendendo-se por ambiente o meio em geral (água, terra e ar), o ambiente ocupacional (indústrias químicas e afins) o ambiente de consumo (alimentos, medicamentos) o ambiente social e cultural (estilo e hábitos de vida) (BRASIL, 2006).
            Nos ambientes de trabalho podem ser encontrados agentes cancerígenos como o amianto, a sílica, solventes aromáticos como o benzeno, metais pesados como o níquel e cromo, a radiação ionizante, a radiação solar e alguns agrotóxicos, cujo efeito pode ser potencializado se for somada a exposição a outros fatores de risco para câncer, como a poluição ambiental, dieta rica em gorduras trans, consumo exagerado de álcool, os agentes biológicos e o tabagismo.
            O câncer ocupacional pode ser definido como aquele causado pela exposição, durante a vida laboral, a agentes cancerígenos presentes nos ambientes de trabalho. Esses fatores interagem de várias formas para dar início às alterações celulares envolvidas na etiologia do câncer. De acordo com pesquisadores, de 2% a 4% de todos os casos de câncer podem estar associados a exposições ocorridas nos ambientes de trabalho (BRASIL, 2008).
            Este, por sua vez, geralmente atinge regiões do corpo que estão em contato direto com as substâncias cancerígenas, seja durante a fase de absorção (pele, aparelho respiratório) ou de excreção (aparelho urinário).
            Assim, temos como tipos mais freqüentes de câncer relacionado ao trabalho, o câncer de pulmão, os mesoteliomas, o câncer de pele, o de bexiga e as leucemias. Dentre estes, estima-se que em 2011 o câncer de pele do tipo não melanoma (114 mil casos novos) será o mais incidente na população brasileira.
            O câncer de pele não melanoma é o mais comum no mundo e sua incidência continua a aumentar. Apesar do seu baixo potencial de gerar metástase e do seu bom prognóstico, se não for corretamente diagnosticado e acompanhado, pode evoluir para destruição local da pele e gerar deformidades dos tecidos moles, cartilagens e ossos.
            A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) estima que pelo menos 80% dos cânceres de pele sejam causados pela exposição ao Sol. Cerca de 2 a 3 milhões são diagnosticados a cada ano em todo o mundo, mas raramente são fatais e podem ser removidos cirurgicamente. No entanto, a peculiaridade do câncer relacionado ao trabalho é o seu grande potencial de prevenção (BRASIL, 2008).
            Uma vez identificado os fatores ocupacionais pode-se: controlar a exposição de cada trabalhador e o uso rigoroso dos equipamentos de proteção individual (máscaras e roupas especiais); realizar trabalhos educativos, visando aumentar o conhecimento dos trabalhadores a respeito das substâncias com as quais trabalham, além dos riscos e cuidados que devem ser tomados ao se exporem a essas substâncias; a realização de exames periódicos em todos os trabalhadores; dentre outras ações.
            Assim, parte desses fatores ambientais depende do comportamento do indivíduo, podendo ser modificado, reduzindo o risco de desenvolvimento de um câncer. Algumas dessas mudanças dependem tão somente do indivíduo, enquanto que outras requerem alterações em nível populacional e comunitário.
            As modificações dependem, portanto, de mudanças no estilo de vida individual, do desenvolvimento de ações e regulamentações governamentais, de mudanças culturais na sociedade e dos resultados de novas pesquisas.
            Diante desta realidade, fica clara a necessidade de investimentos no desenvolvimento de ações abrangentes para o controle do câncer, nos diferentes níveis de atuação, como: na promoção da saúde, na detecção precoce, na assistência aos pacientes, na vigilância, na formação de recursos humanos, na comunicação e mobilização social, na pesquisa e na gestão Sistema Único de Saúde (SUS).

Clissa Xavier
Enfermeira – UBS Ana Paulino
           

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