21 de fevereiro de 2014
Casou comoção pública a repercussão nacional que teve o caso da morte do cinegrafista da TV Bandeirante, Santiago Andrade, no dia 10 de fevereiro de 2014, ao morrer alguns dias depois de ser atingido por um rojão na cabeça enquanto registrava imagens das manifestações populares contra o aumento das passagens no Rio de Janeiro.
Nossos sentimentos de pesar à família desse excelente profissional, como foi bastante evidenciado pelas reportagens. Mas aqui quero ter como foco o caso da “solidariedade” que o caso Santiago provocou entre a Grande Imprensa, especificamente entre as próprias emissoras de TV, quando normalmente é muito difícil em um telejornal uma emissora se referir a algum fato de outra emissora, pois entre si são concorrentes pelos índices de audiência.
Mas o caso Santiago Andrade uniu-as e todas falaram a mesma “língua” pedindo punição exemplar para os envolvidos direto no caso. E foi tanta a pressão junto às autoridades, a Polícia, e na sociedade, que, diga-se de passagem, apesar da dificuldade inicial, em poucos dias o caso foi praticamente resolvido.
Aquilo que poderia ser difícil de ser descoberto em princípio, por ser tratar de algo em plena multidão, teve imagens de vários órgãos diferentes, fotos, especialistas, etc, de modo que um acusado se entregou, pois sabia que era questão de dias de ser descoberto, o que lhe seria mais complicado ainda se ficasse na condição de procurado. E o outro acusado, foram descobrir e prender lá no interior da Bahia.
Claro que estou apoiando o trabalho e que os culpados sejam mesmo exemplarmente penalizados. Mas, passados esses dias e após a prisão dos dois envolvidos de forma muito rápida, algumas considerações podem ser tiradas dessa ocorrência.
Fico imaginando que, se caso a vítima tivesse sido um daqueles policiais em pleno serviço, por exemplo, em vez do cinegrafista, o caso teria tido a mesma repercussão, a mesma rapidez nas investigações, todas as emissoras teriam ficado solidarias e pressionando em seus telejornais, ou os envolvidos ainda estariam soltos, escondidos, e talvez agora, dias depois, nada mais se falasse desse caso?
Se a vítima tivesse sido um pai de família qualquer, um trabalhador que estivesse passando por acaso, indo para sua casa, por exemplo, haveria o mesmo tratamento da Grande Imprensa? Ou o caso só ganhou ou teve aquela repercussão por se tratar de um profissional de uma grande emissora de TV?
Parece que a imprensa, ou melhor, dizendo, a Grande Imprensa é como uma “caixa de marimbondo”: mexeu com um, já viu, sai de perto, senão a coisa engrossa. E parece que foi isso mesmo que aconteceu.
Daí a dedução: quando a Imprensar quer... Ressalto bem: quando quer, faz acontecer.
Ah, por sinal, quatro dias depois da morte do cinegrafista da Band, lembro-me que estava assistindo um telejornal, acho que ao meio dia, e ouvi uma notícia de que o jornalista Pedro Palma, dono do jornal “Panorama Regional”, numa cidade do interior do Rio de Janeiro, havia sido assassinado na noite anterior, dia 13 de fevereiro, devido as matérias-denúncia que fazia no seu jornal. Posso estar enganado, mas acho que não ouvi mais nada sobre o caso, não sei se já prenderam algum acusado. E... Não era um jornalista? Não era também um profissional da imprensa? Por que os Meios de Comunicação e Grande Imprensa não se solidarizaram também em favor desse profissional e da família dele concentrando matéria pela punição dos culpados?
Ah, por sinal, outro caso mais recente: dia 16 de fevereiro, também um cinegrafista da TCM (TV Cabo Mossoró), José Lacerda, na cidade de Mossoró/RN foi assassinado. Não me lembro de ter ouvido repercussão na Grande Imprensa sobre esse crime. E olhe, repito, era também um cinegrafista...
Sei que a imprensa desempenha um grande papel na sociedade. Quando ela quer “pegar” ou “queimar” um, sai de baixo. Parece ter “dois pesos e duas medidas”. Pelo menos é o que infelizmente ficou bastante evidenciado no caso Santiago Andrade. Que sua alma descanse em paz, assim como a do jornalista do Rio e a do cinegrafista de Mossoró.
Poderia me estender um pouco mais, mas não precisa. De tudo ficou muito claro e evidente para mim: muitas “coisas” mesmo só acontecem ou deixam de acontecer se for do interesse direto ou conveniente para a imprensa. E a ética jornalista, onde fica? O direito da população a verdadeira informação? Por que esses dois casos de profissionais da Imprensa não tiveram tanta repercussão depois?
Pois é. Isso é relativo. Depende.
Quando a Imprensa quer...
  Gilson de Souza
Areia Branca-RN
 20/02/2014.


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